"Escrever te faz bem!"
Tu diz.
Ora, menina tola!
Tu que me fazes bem!
E insistes que é outro alguém
Que me fazes bem.
Mas não vem que não tem
Tais crises imediatas não convém
Crises de culpa
E alguns pedidos de desculpa
Que não dura
Nem sendo sincero
Com esse teu espírito severo
Esse teu gosto amargo
De gostar de outro tolo.
Ou tola.
Mas apesar de tudo
Continua tudo trancado
Enferrujado
Amarrado
Encaixotado.
Quando estes falados dias de paz
Ouvirem do que sou capaz
Para essa obstinada sensatez desapegar-se do meu corpo
E evaporar
Como um sopro.
Mas eu não sei se o que sinto
É neurose ou paixão.
Mas eu minto
Deve ser solidão.
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