Esse tempo é uma farsa
Que teu relógio disfarça
Que formoso jeito de abreviar
A imensidão de algo que jamais começou
E que nunca terminou
Mas será que ele existe?
Quem modelou essa alma tão triste
Que és jogada fora depois de uma geografia costumeira
Apelidada
Com sua hora exata
Nesse ponteiro de pulso aristocrata
Mas tu não enganas ninguém, tempo
Sabe-se lá se tu existe
Ou se tu é deus
Ambos são um só?
Ou és apenas pó?
Com essa severidade pouco sagaz
Me sinto só.
E nessas horas o tempo não existe
Não resiste.
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Paixão.
Paixão carrasca
Que insistes em chamar de alegria
Alegria que repudia
Me intui a seguir teus passos
Teus atos
Onde caminhas teus pés delicados agora, moça?
Se tua boca beijas outra
Não encontro problema
Me relembra até cena de cinema
Cenas de Woody Allen
Que se transcrevem em um grau especial
De monotonia emocional
Mas é paixão pura
Subentendida
Que não faz qualquer sentido
E não precisa ter sentido.
É tudo papo furado
Conversa fiada!
Para enganastes o discreto do ser
O indiscreto do ter.
Sofrimento cai e volta para a palma da mão
Onde no meio da burguesia
Se não existe poesia
Encontro-me repousada em um canto
E nesse canto, eu canto
Canto até a lua se apagar.
Para minha bela e entorpecida
Paixão carrasca.
Ou, na verdade escassa
Tu que és carrasca?
Que insistes em chamar de alegria
Alegria que repudia
Me intui a seguir teus passos
Teus atos
Onde caminhas teus pés delicados agora, moça?
Se tua boca beijas outra
Não encontro problema
Me relembra até cena de cinema
Cenas de Woody Allen
Que se transcrevem em um grau especial
De monotonia emocional
Mas é paixão pura
Subentendida
Que não faz qualquer sentido
E não precisa ter sentido.
É tudo papo furado
Conversa fiada!
Para enganastes o discreto do ser
O indiscreto do ter.
Sofrimento cai e volta para a palma da mão
Onde no meio da burguesia
Se não existe poesia
Encontro-me repousada em um canto
E nesse canto, eu canto
Canto até a lua se apagar.
Para minha bela e entorpecida
Paixão carrasca.
Ou, na verdade escassa
Tu que és carrasca?
terça-feira, 25 de junho de 2013
Lágrimas.
Choro e rio
Chorei tanto que fiz um rio
Quem me dera esse rio
Fluísse no tom de uma risada
No entanto, sem graça
Mas não existe nada pior
que não seja
a falta do nó na garganta.
Faz-se triste, faz-se náusea, faz-se uma mistura
Mas não choro.
E no desamparo do escuro
sinto falta.
Sinto falta da bela água salgada
Que desce até minha boca
E toca meus lábios
Que se inspira e transpira
Com o gosto fundo e profundo
Dessa tristeza
Ilesa.
Chorei tanto que fiz um rio
Quem me dera esse rio
Fluísse no tom de uma risada
No entanto, sem graça
Mas não existe nada pior
que não seja
a falta do nó na garganta.
Faz-se triste, faz-se náusea, faz-se uma mistura
Mas não choro.
E no desamparo do escuro
sinto falta.
Sinto falta da bela água salgada
Que desce até minha boca
E toca meus lábios
Que se inspira e transpira
Com o gosto fundo e profundo
Dessa tristeza
Ilesa.
Solidão.
A solidão prende-me
Amarra-me
Bate-me
Estupra-me
Enquanto suplico por liberdade
Porque fazes isso?
Sou tua órfã ou sentes prazer de usurpar a quem vier de bom
grado
Oferecer-te companhia?
Avisei-lhe a ir à luta; agora arcar-te com as conseqüências
da dor
Desse louco corpo mal-amado; bem sofrido.
Ora, mas se ergas corpo mal-amado; maltratado!
Sobressai e muda o mundo
Teu mundo!
Teu mundo acinzentado farto de rancor
E mostra para a solidão que tua dor
Não é, nem de longe, maior que teu amor.
Estações.
Eu dizia a outono: porque chegastes tão cedo?
Como vivíamos e sobrevivíamos de aparências, pensei: a
primavera és mais bela que tu! Adianta teu lado e sumas com suas sensações
falsas de noites eternas!
Faltava-me carinho e aconchego
Onde está o verão, para esquentar a carne do meu corpo?
Quero teu calor, verão.
Mas que cretino é esse verão! Esquentai a todos; não só a
mim.
Mas o inverno queria-me; desejava-me; almejava-me
Mas seu inverno, sai pra lá, sumistes da minha vida
De frieza já basta meu coração
Que se encontra empedrado há tanto tempo
Desde que o verão se foi...
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