Total de visualizações de página

domingo, 23 de março de 2014

Dilema.

Não é feito de cinzas do que restou da convivência
É um ponta bem afiada que existe de clemência
Estou me sufocando com um saco plástico enfiado na cabeça
Que é impossível de se furar com as unhas dilaceradas de ódio pela humanidade
Mas é reciprocidade.
Os humanos tendem a complô-se contra mim.
E eu contra eles.
Até eu não ter mais sangue a ser derramado e a ser transformado em hipocrisia banalizada.
O álcool não me serve mais
Me traz flores murchas
E odores e dores demais.
Mas afinal, não consigo achar as respostas para o problema
Se tudo me parece um paradoxo de cinema,
e no final, não importa, tudo sai do jeito certo.
E com esse dilema infiltrado na cabeça,
eu até que estou indo bem.

domingo, 16 de março de 2014

Desgaste.

Já encaixotei minha insegurança surrada para próxima viagem
E fervi com veneno próprio de não ter o que pensar
Tomar com adoçante para a próxima vadiagem
E com a cabeça vazia se origina uma fábrica de nós
Que eu, ingenuamente, o deixei fazer morada.
Uma morada que treme e acorda com suicídio, plenamente acabada.
Mas quem sabe é quem idealiza tamanho desconforto que é compor,
Um milhão de estupros em uma só noite.
Na cabeça amarram-me e amordaçam, com um sorriso saltante do seu rosto corado.
Mas entendas: a mágoa já vomitei e continuas entrelaçado.
Então, o que mais farei?
Que voz já me resta?
Que lágrima já chora?
Mas também quero que entendas: não quero sufocar-me com as palavras não ditas.
Ou já ditas, porém não entendidas.
Não medidas.
Não quero morrer do desamparo desgastado.
Mas não entendem.
Nunca entendem a pobreza de ventura da falta de amor próprio.
A tentativa é irrelevante, a de amar sóbrio.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Neurose.

Mãos trêmulas enfeitando as vontades metódicas
Tudo para escancarar o ciúme nítido teu
Teu, do mundo, do que um dia exita em ser meu
Mas graças a neurose surrada no meu rosto tal coisa se corroeu.
Não nasci para a vida que amigos levam,
Que todos os seres um dia levam.
Tudo está traçado como se eu fosse algum tipo de desdenho na terra.
E assim, espanca-se e mata-se dentro do meu coração como uma guerra,
e eu vivo todos os dias a lutar
Por esse mal que todo mundo já viu, em outrora já sentiu.
Tudo isso é crise de primeira idade.
Mas se eu tivesse um pedido a fazer seria:
por favor, me leve de volta á placenta,
Que daqui da vida não sai mais dessa de: "experimenta".
Me leva de volta,
e com um aborto quebraria o espírito da moralidade.
Desse grande desalinho que é a sociedade.

Os outros.

Não se pode limpar manchas de sangue de um corte que outrora outro lhe causou
Com trocas de salivas e toques de alma só para engolir a seco a vergonha que o outro lhe usou
O outro é nosso imaginário pensador
Benéfico e criador de toda arma de tortura que se usa
Para encher meu copo de suscetibilidade amargurada.
O outro é quem nos machucou
Quem gozou, quem nos aprazerou com um antigamente.
Quem até hoje nos tem feliz na mente lúcida e abstinente
Quem nos amassa feito coisa usada e nos joga na caçamba de lixo.
Minha cabeça já não escora tanto bicho
Bicho dissimulado com roupas feitas de açúcar adocicando o paladar do outro.
O outro são eles.
O outro somos nós
Induzidos com a desatenção de quem falamos
Nós somos o outro de quem tanto julgamos.
Com palavras e interpretações de baixo calão perdemos ponto na moral,
Mas quem se liga, quem liga hoje em dia
Porque é tudo movido através do liberal.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Estilhaços.

Entre os laços que apertavam suas feridas mais profundas
Ela ria.
Ria, gargalhava, sorria
Subitamente fazendo da cicatriz uma alegria
Mas que menina dura!
E suas mordidas estilhaçadas nas marcas da sua carne
Quem é que cura?
Quem é que vê?
Tenta no obscuro resolver a dor do sangue tão amargo e tão inseguro
Mas menina, com solidão não se resolve nada.
Aprende que todo mundo aprende a amar novamente
Aprenda e se prenda á isso.
Mesmo com suas fases de lua,
a vida continua sendo sua.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Arte e o Sofrimento.

Não quero que o sofrimento suma,
Ou dê no pé e se abrigue em alguma pluma
Quero ele como meu professor dramático de imaginação,
Que me enlouquece e depois se esquece
Da loucura que consumou
Mas já com a obra feita, a obra dita, a obra rabiscada
A criatividade se esvaiu e foi toda machucada.
Mas já dei pinceladas e rabiscadas no meu corte.
Fui forte e a arte virou cicatriz.
E tende a virar sempre.
Quero calma na consciência,
como cenas de sofrimento em um cinema mudo,
E que se contorne no profundo habitat do meu ofício
Se concretiza o impossível de ser feliz.
Se morri ou se vivi por mais daquela hora, não importa.
Corta esse contentamento com a euforia
Que o mal-estar chegou junto da minoria.

Interrogação.

E assim minha vida começou
Com neuras petulantes e inacabáveis para os momentos de hoje
Com crises de choro onde cria-se um rio de interrogação
Com isso o projeto do alheio se transforma em indagação
Mas entendas, não quero que isso vires obrigação.
Tua obrigação.
Nem a minha, nem a tua.
Me deixa morrer por dentro.
Que depois se deixa levar pelo vento.
Que o sofrimento,
é a fonte da minha juventude.
É a plenitude do enforcamento da minha alma consolada  por alguém que preocupa-se.
Em um dia de sol observando as ondas do mar,
indo e vindo.
Como o meu humor desprezível.
Chorando e rindo.