Depois de beber mágoa quase o mês inteiro
Arrancada do nó da garganta do desespero
E das cinzas espalhadas no cinzeiro
Tive a crueldade da impressão que me conforma
Conformei-me com minhas fases de ser carente
E ficar em posições em parecer delinquente
Mas afinal, quem é que me entende?
Quem me entende e até que ponto isso se estende?
Não sabe e nunca quis saber.
Mas o conformismo é minha posse
Não posso te ter, não posso me ter
Fazer-me de rainha do meu mundo desguarnecido eu creio em conceber
Rainha de tudo que não sou.
Desprezando tudo que sou.
E andando em águas geladas de contato sem tato
Fazendo do meu destino a inércia sem afeto do embriagado.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Quem é quem?
Quem é tua mãe,
na calada da noite escura e sombria?
É aquela que chora com lágrima fria
Ou aquela que geme no ouvido da luxúria?
Quem é teu irmão,
Que bebe um café quente
Só para investigar-se com sua mente
Que não tens medo do fogo ardente
Não se amedronta com risco do pouco
Mas por dentro é uma tentativa de se auto-afirmar.
Que não queres ser regular,
E ter medo do medo.
Quem é aquela tua tia,
Que cuidas de tua cria com todo o amor que tens no peito,
Mas sofres do mal do século?
Duas caras, todos temos.
Temos mesmo? Eu temo.
Temo com a crise de identidade.
Que mastiga e assola a humanidade.
Mas então,
Quem é você?
Quem sou eu?
Sei de nada, nada seu.
Tudo que sei,
É da amargura que o amor lhe deu.
Me deu.
na calada da noite escura e sombria?
É aquela que chora com lágrima fria
Ou aquela que geme no ouvido da luxúria?
Quem é teu irmão,
Que bebe um café quente
Só para investigar-se com sua mente
Que não tens medo do fogo ardente
Não se amedronta com risco do pouco
Mas por dentro é uma tentativa de se auto-afirmar.
Que não queres ser regular,
E ter medo do medo.
Quem é aquela tua tia,
Que cuidas de tua cria com todo o amor que tens no peito,
Mas sofres do mal do século?
Duas caras, todos temos.
Temos mesmo? Eu temo.
Temo com a crise de identidade.
Que mastiga e assola a humanidade.
Mas então,
Quem é você?
Quem sou eu?
Sei de nada, nada seu.
Tudo que sei,
É da amargura que o amor lhe deu.
Me deu.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Ridículo.
Eu parei para pensar nas coisas da vida e no que me faz mal
No que me alucina e no que me fascina
E cheguei ao ponto de interrogação:
Quem é mais sensível que eu?
Quem faz de uma palavra dita um furacão
Para depois se abrir e procurar abrigo em labuta no chão
Me diz,
Conheces alguém mais forte que eu?
Que lida com a sensibilidade de forma concreta
Tentando não errar no abstrato
Da civilização insensível e mesquinha esperta
Se é que posso chamar de esperta.
Do jeito que o mundo anda sempre torto
O que acaba restando daquele belo e velho barroco?
Nada.
Só mágoa.
E um espírito cravado no extremismo do romantismo e da compaixão.
O que, cá entre nós
Não vale pra nada nos dias de hoje.
Tu sabes, eu sei, o mundo sabes.
Isso é enraizado como sinônimo do ridículo.
E então, já é hora?
Onde pego meu currículo?
De um ser ridículo.
No que me alucina e no que me fascina
E cheguei ao ponto de interrogação:
Quem é mais sensível que eu?
Quem faz de uma palavra dita um furacão
Para depois se abrir e procurar abrigo em labuta no chão
Me diz,
Conheces alguém mais forte que eu?
Que lida com a sensibilidade de forma concreta
Tentando não errar no abstrato
Da civilização insensível e mesquinha esperta
Se é que posso chamar de esperta.
Do jeito que o mundo anda sempre torto
O que acaba restando daquele belo e velho barroco?
Nada.
Só mágoa.
E um espírito cravado no extremismo do romantismo e da compaixão.
O que, cá entre nós
Não vale pra nada nos dias de hoje.
Tu sabes, eu sei, o mundo sabes.
Isso é enraizado como sinônimo do ridículo.
E então, já é hora?
Onde pego meu currículo?
De um ser ridículo.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Gatilho.
Não é que eu não me sinta viva.
Viva estou até demais, sentindo até o último pelo da minha pele se arrepiar
E sofrendo mais do que deveria por amar.
Não é que eu não queira viver.
Pelo contrário!
Viver é o auge, a causa, o que se passa despercebido se percebendo.
Mas você não entenderia, é tudo muito complicado
O enredo da minha subjetividade é bloqueado.
A sensibilidade atordoa e esmurra meu rosto sucumbido de amargura
E não sobra nem um pingo de decência da coragem de enfrentar
A dor e o desprezo que eu tenho pelo meu eu-lírico que costumam admirar.
Se vocês soubessem o outro lado da história, acreditem em mim,
Não desejariam, por uma gota d'água ter o inevitável talento de ser tão sério.
E de fazer coisas que envolvam seriedade.
Porque me desculpem, com essa habilidade,
Puxariam o gatilho.
Viva estou até demais, sentindo até o último pelo da minha pele se arrepiar
E sofrendo mais do que deveria por amar.
Não é que eu não queira viver.
Pelo contrário!
Viver é o auge, a causa, o que se passa despercebido se percebendo.
Mas você não entenderia, é tudo muito complicado
O enredo da minha subjetividade é bloqueado.
A sensibilidade atordoa e esmurra meu rosto sucumbido de amargura
E não sobra nem um pingo de decência da coragem de enfrentar
A dor e o desprezo que eu tenho pelo meu eu-lírico que costumam admirar.
Se vocês soubessem o outro lado da história, acreditem em mim,
Não desejariam, por uma gota d'água ter o inevitável talento de ser tão sério.
E de fazer coisas que envolvam seriedade.
Porque me desculpem, com essa habilidade,
Puxariam o gatilho.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Apodrece.
Vamos mergulhar no raso do que já foi fundo e profundo
Ignorar o que se tornou ignorante e imundo
E comprar tudo que é gratuito
Até não existir mais dinheiro para gastar
No que antes era promoção de injustiça e difamação
Mas tu sabes que a regra agora é essa:
Jogar e ganhar,
Quem perde não se liberta desse desastre patriarcal,
apodrece.
Apodrece, adoece, enlouquece.
Tudo em excesso e com um toque de drama, só para sentires
O que é estar na pele daquele que não consegue.
Ignorar o que se tornou ignorante e imundo
E comprar tudo que é gratuito
Até não existir mais dinheiro para gastar
No que antes era promoção de injustiça e difamação
Mas tu sabes que a regra agora é essa:
Jogar e ganhar,
Quem perde não se liberta desse desastre patriarcal,
apodrece.
Apodrece, adoece, enlouquece.
Tudo em excesso e com um toque de drama, só para sentires
O que é estar na pele daquele que não consegue.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Meia doze.
Faço parte da geração que se preocupa com o desocupado
E se despreocupa com o preocupado
Na visão do mundo que não entende minha embriaguez de pieguice
Sou alguém que gosta de estar triste
E continuar em zonas de conforto
Mas com o prazer ilícito de terras mais pacíficas eu absorto
Das coisas mais surreais que meu olho cega e minha boca fecha
Eu não tenho o que dizer.
Com essa solidão calada e amarrada dentro do peito
Persisto assim em escassez da mais nobre era do conceito:
"Viva mais, pense menos!"
E assim me remoo com desproveito.
Mas há dois lados da moeda em que não sei em que universo eles se afirmam e reafirmam.
Ás vezes a vida é um suicídio em que,
com meia doze de vinho se aguenta viver mais um pouco.
E ás vezes vida é uma piada que
com meia doze de lembranças pode-se viver como louco.
E se despreocupa com o preocupado
Na visão do mundo que não entende minha embriaguez de pieguice
Sou alguém que gosta de estar triste
E continuar em zonas de conforto
Mas com o prazer ilícito de terras mais pacíficas eu absorto
Das coisas mais surreais que meu olho cega e minha boca fecha
Eu não tenho o que dizer.
Com essa solidão calada e amarrada dentro do peito
Persisto assim em escassez da mais nobre era do conceito:
"Viva mais, pense menos!"
E assim me remoo com desproveito.
Mas há dois lados da moeda em que não sei em que universo eles se afirmam e reafirmam.
Ás vezes a vida é um suicídio em que,
com meia doze de vinho se aguenta viver mais um pouco.
E ás vezes vida é uma piada que
com meia doze de lembranças pode-se viver como louco.
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