Depois de beber mágoa quase o mês inteiro
Arrancada do nó da garganta do desespero
E das cinzas espalhadas no cinzeiro
Tive a crueldade da impressão que me conforma
Conformei-me com minhas fases de ser carente
E ficar em posições em parecer delinquente
Mas afinal, quem é que me entende?
Quem me entende e até que ponto isso se estende?
Não sabe e nunca quis saber.
Mas o conformismo é minha posse
Não posso te ter, não posso me ter
Fazer-me de rainha do meu mundo desguarnecido eu creio em conceber
Rainha de tudo que não sou.
Desprezando tudo que sou.
E andando em águas geladas de contato sem tato
Fazendo do meu destino a inércia sem afeto do embriagado.
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