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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Universos.

Sou feita de mentiras bem-contadas
Graças a obra da verdade mal-dita
A maldição calculista e sentida
Mas a sensação autêntica é bem guardada
Porém, bem engajada
Não há causas para que se possa mudar
O conformismo e o ócio do pensar
Feitos do fogo do inferno e dos véus do céu
Mas descobrindo isso tiro o chapéu
Pois o diabo não existe, habita em nós
E deus é pensamento de vós
Um universo vive e sobrevive
Um universo chora e adora
Ele tem cara e se cora
Tem corpo e mente
E cada um é diferente
Cada um consegue abrigos
E abrem-se e exploram-se sorrisos
Simultâneos e espontâneos
E se conhecem e se divertem
Os universos são sociais
Uns nem tantos
Alguns pautam-se até demais
Mas meu amigo
A curiosidade matou alguém também
E foi algum universo.
Se não sabes de onde vens
São as almas com quem trocas palavras
Com quem abraças e beijas
E faz carícias
Cada um de nós é um universo, jovem.
Cada um de nós é o universo.
E os conhecemos todos os meros dias.

domingo, 4 de agosto de 2013

Flora.

Eu que a tinhas visto pela primeira vez
Adocicando de puro mel
O sabor da tempestade
De qualquer céu
A vi tão feliz e recolhida
E eras assim mesmo que soava!
Feliz
Ah, como eu quis
Roubar teu sorriso com aparência vesga de um santo emoldurado na parede
Soltar-te sobre minha raiva crucial mordida pela sede
Sede do cansaço e desavença
Mas já tentei de tudo
E de nada custou esse suor rabiscado e barato
Afinado vendo-me no espelho tendo um próprio trato
Com um reflexo terapêutico abstrato
Já tentei de tudo!
Grupos para esconder a dor profana não me atrai
Mesmice em sala de ponteiros me distrai
E aquela terapia floral?
Com ela brota algo sobrenatural e divino
Da minha alma nasce um beijo platônico
Beijo neutro que brota como flor
Flor que se aflora no coração da emoção
A flor agora faz casa em mim
Dai-me energias novamente para seguir em frente
Essa que é uma bela flor
Se aflora e vive em mim, e não vivo mais sem ti
Se a flora vive em mim, não vivo mais sem ti
Flora, catas minhas garrafas de vinho tinto
Deixadas no chão enquanto refino minha estupidez
Sem parecer-me farta de embriaguez
E ajuda-me com meus espinhos.
Flora, se aflora como flor no meu jardim
E dai-me carinhos
E ficamos em paz;
Sozinhos.
E o público verás
Do que somos capaz
Alimentando sonhos de ilusão
Mas deus, se tu existe
Dai-me perdão
Por querer amar alguém como amas platão
Inventando sofrimento na paixão
Mas se a flora aflorou em minha alma, o que posso fazer?
Tu faz chamas em meu quintal
Mas com aquela essência floral
Tu faz calma na alma
E fico bem.