Não se pode limpar manchas de sangue de um corte que outrora outro lhe causou
Com trocas de salivas e toques de alma só para engolir a seco a vergonha que o outro lhe usou
O outro é nosso imaginário pensador
Benéfico e criador de toda arma de tortura que se usa
Para encher meu copo de suscetibilidade amargurada.
O outro é quem nos machucou
Quem gozou, quem nos aprazerou com um antigamente.
Quem até hoje nos tem feliz na mente lúcida e abstinente
Quem nos amassa feito coisa usada e nos joga na caçamba de lixo.
Minha cabeça já não escora tanto bicho
Bicho dissimulado com roupas feitas de açúcar adocicando o paladar do outro.
O outro são eles.
O outro somos nós
Induzidos com a desatenção de quem falamos
Nós somos o outro de quem tanto julgamos.
Com palavras e interpretações de baixo calão perdemos ponto na moral,
Mas quem se liga, quem liga hoje em dia
Porque é tudo movido através do liberal.
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