Paixão carrasca
Que insistes em chamar de alegria
Alegria que repudia
Me intui a seguir teus passos
Teus atos
Onde caminhas teus pés delicados agora, moça?
Se tua boca beijas outra
Não encontro problema
Me relembra até cena de cinema
Cenas de Woody Allen
Que se transcrevem em um grau especial
De monotonia emocional
Mas é paixão pura
Subentendida
Que não faz qualquer sentido
E não precisa ter sentido.
É tudo papo furado
Conversa fiada!
Para enganastes o discreto do ser
O indiscreto do ter.
Sofrimento cai e volta para a palma da mão
Onde no meio da burguesia
Se não existe poesia
Encontro-me repousada em um canto
E nesse canto, eu canto
Canto até a lua se apagar.
Para minha bela e entorpecida
Paixão carrasca.
Ou, na verdade escassa
Tu que és carrasca?
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