Observem estas solitudes cores
Cores cinzas e sem realce
Quem saem do berço e nascidas de dores
Dores que guardamos e aguardamos
Que guardamos para mágoas inoportunas com o bem querer e o mal dizer
E aguardamos para recordações milimetrais detalhistas
Que perambulam pelos sons e ruídos de boca a boca
Mas quem me dera ser como algum amigo que adoece e vive
Adoece mas vive
Adoece mas viveu
Irá adoecer algum dia mas vive
Viveu e se tornou doce
Adoçou-se sua amargura
E tornou-se uma aura grande em largura
Mas quem dera se eu fosses como estes
Quem com brilho nos olhos e entre um gracejar eu admiro
Como podes
A vida tão rígida e enciumada
Ser assim tão bem tratada
Em forma de vivência despavorida e vistosa
Mas e eu aqui, toda dengosa
Querendo carência demais com uma flecha nas costas
E os outros
Vivendo tão bem, e porquê
Talvez porque não pedem explicações baratas
De alguma existência enigmática que convivem
Apenas... vivem.
E não se importam se são felizes.
Mas que dor nos olhos deve ser
Um vida triunfada e bem recebida mas irrefletida.
Mas que meio impulsivo.
O impensado no inesperado.
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